São, São Paulo meu amor!!!!

Olá!

Hoje é dia de homenagear São Paulo e nem me importo se parecer senso comum… Morei lá por muitos anos e tenho muitas razões para gostar da cidade.

Morei na Aclimação, um bairro cheios de morros e baixadas. O apartamento ficava abaixo do nível da rua. As janelas dos quartos, rentes ao teto, é que ficavam no nível da rua e lá tinha feira toda semana…Era possível ouvir toda a agitação da madrugada, na hora da montagem, bem como as conversas durante toda a manhã.

Morei no centro, na Rua Major Sertório, num prédio que ficava em cima da boate La Licorne , na época uma das mais famosas e luxuosas boates de garotas de programa da cidade. O prédio, com apartamentos do tipo kitineth, era habitado por putas, travestis, senhorinhas, casais com filhos e moças de famílias “quase boas”, como eu e a comadre Vera. A Vera era mais chic que eu, morava num apartamento de canto e, portanto, desfrutava de uma pequena lavanderia/tanque, não precisava, como eu, lavar a roupa na pia do banheiro. Aliás, mesmo sendo os apartamentos muito pequenos, lembro-me bem de um dos aniversários da comadre em que contamos, pelo menos, uns oitenta convidados.

Morei na Pompéia, e só agora me dou conta que se trata, novamente, de um bairro de muitos morros, numa casa que ficava num dos “escadões” comuns naquela região. São escadas de concreto que funcionam como ruas, ligando uma rua do alto do morro a outra que fique lá em baixo. Morei num desses, numa casa com piso e forro de madeira… Vez ou outra tínhamos que lidar com aparecimento de ratos… credo!!! Lá também fomos assaltados… Só depois de muitos dias me dei conta que tinham levado meu liquidificador quase novo. Minha sogra da época morria de pena de encontrar o marido/filho lavando a louça… tirava o “coitado” da pia e ia terminar a tarefa… Mas, acredito, passei uma lição, porque no final do casamento, meu querido e respeitado ex-sogro já lavava umas loucinhas para ela. Nessa casa tive como vizinha uma verdadeira artista da cerâmica, Kimi Nii. Perdi o contato, mas bem que gostaria de reencontrar.

Morei na  Freguesia do Ó. Lá os filhos brincaram muito na rua. Meu filho mais velho sempre relembra que eu gritava o nome de um deles na janela da sala do sobrado em que morávamos e ai as pessoas iam repetindo o chamado até chegar a eles, que quase sempre estavam a quarterões de distância de casa… Funcionava como um eco… Eles acabam sempre sabendo que eu os estava chamando. Nesse tempo os filhos estudaram num escola municipal, foi quando decidi que queria ser professora (é eu me formei tardiamente, mas essa é outra história)… Por que? Porque tive o privilégio de ver os pequenos estudarem tendo como Secretário Municipal de Educação nada mais, nada menos que PAULO FREIRE…  É também a época em que mantive uma cantina no Teatro Escola Macunaíma, voltava para casa tarde da noite, de ônibus, com todo o dinheirinho ganho no dia. Tinha que andar uns 4 quarterões até em casa.  Quarterões que a noite ficavam bem desertos. Nunca fui assaltada . Tempos de grandes transformações políticas e sociais. Tempo do Movimento das Diretas Já. Quantas lágrimas rolaram quando a emenda foi derrotada. Mas a luta continuou. 

É dessa época as boas recordações dos sambas no Bar do Alemão, na Avenida Antártica e, também, das noites de segunda no Vou Vivendo, em Pinheiros. Quanta gente boa nessas segundonas. Segunda, em geral é dia de folga de músico e ai o que é que eles fazem? Se encontram para tocar e cantar… Muita música boa e, também, de grandes paixões.

Tenho certeza de que devo à cidade de São Paulo muito do que sou… Minhas ideias, meu jeito de ver o mundo, minha necessidade de liberdade, de viver e deixar que cada um viva do jeito que se sentir melhor… Uma certa mania de gostar de ficar sozinha… O gostar de gente vestida de jeito “estranho”, adorar a noite e seus mistérios… Então homenagear São Paulo, não tem nada de senso comum… De certa forma, é homenagear e valorizar a minha própria história.

As fotos que selecionei são todas da minha amiga e comadre Vera Lúcia Dias, formada em Turismo, com pós graduação em Turismo Cultural, Vera é uma apaixonada por São Paulo. Sabe tudo, conhece tudo. Ela promove passeios pela cidade e, garanto, quem circula por São Paulo em sua companhia nunca mais verá a cidade do mesmo jeito. Para conhecer um pouco do seu trabalho clique aqui e visite o blog Passeio Paulistano.

Então, reafirmando, as fotos são todas da Vera. As legendas estão misturadas, algumas eu colei dela, outras eu criei e/ou adaptei.

Obrigada por estarem aqui.

Abraços

Vó Neusa

Ah! Antes das fotos… Alguém pode estar se perguntando: Mas não tem situações tristes nessa história? Claro que tem, e muitas, mas hoje o dia é de festejar.

Bom Passeio por essas imagens!!!!

Os devotos do Divino. Em São Paulo há muita tradição, principalmente na Freguesia do Ó desta festa laica em suas origens e que representa o V Império.

Represa Guarapiranga

Casa do RAMOS DE AZEVEDO, Rua Pirapitingui, Liberdade

O Mirante do Banespa visto do Expresso Tiradentes. Centro SP

Catedral da Sé

Pizzaria Veridiana no bairro de Higienópolis.

Bairro do Sapopemba, onde a Vera mora atualmente

“Depois do Banho” de Victor Brecheret no Largo do Arouche (1932).

“Vale Encantado”. Vale do Anhangabaú.

Grafite, bairro de Pinheiros

Coreto,  bairro SANTO AMARO

Rios que poderiam ser mais LINDOS, aguardam despoluição. Pinheiros e Guarapiranga.

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